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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

EDP Meia Maratona de Évora - uma monumental surpresa.

Há aqueles dias em que tudo nos corre mal durante a prova. Ou porque não levamos as meias preferidas, porque começamos a pensar se desligámos o gás antes de sair de casa, porque nos entra uma pedrinha para o sapato, porque aos 2kms já estamos com vontade de ir à casa de banho, etc etc e tal.. Mas depois há aqueles dias em que os astros se alinham todos e a coisa corre bem. Aliás, até melhor do que alguma vez pensado. Foi o que me aconteceu no dia 26 de novembro na EDP Meia Maratona de Évora, uma prova Running Wonders!



A minha mana já me andava a chatear a cabeça há muito tempo que nunca tinha ido correr a Évora. Que ia a todos os sítios menos ali, uma localidade que até é perto da casa dos meus pais. E algures no inicio de novembro desafiou-me a ir fazer a meia maratona de Évora, enquanto ela e outros membros da família iriam fazer a corrida de 10kms. E como quem desafia paga a inscrição, lá lhe disse que sim. A dois dias da prova diz-me que já não vai à corrida porque tem de ir trabalhar, e lá vou eu sem ela mas com o resto da família.

Encarei esta prova como uma oportunidade de fazer melhor que a Meia Maratona de Lisboa 2017, de 15 de outubro. Os treinos estavam mais em dia e começava-me a sentir bem melhor durante os mesmos. Treinei mais por Monsanto do que em estrada, nunca fiz mais de 14kms, mas acreditava que conseguiria um tempo entre 1h50m e 2h. Não seria o meu melhor tempo de sempre, mas estaria mais dentro daquilo que atualmente o corpo me permite fazer.

A casa dos meus pais é em Mora, que fica a cerca de 60kms de Évora, por isso, a saída ficou marcada para as 8h30. Tempo suficiente para chegar, estacionar e ir para a partida na Praça do Giraldo. Despertador para as 7h para ter tempo de comer em condições, acordo às 7h47 nem eu sei como. Pensei logo que estava a começar mal. A estratégia para a prova foi idêntica à da Corrida do Aeroporto 2017: usar equipamento de trail (meias e ténis) e Tailwind como hidratação/nutrição pré e durante prova. Assim, depois do banho o pequeno-almoço foi pão com manteiga e 250ml de preparado de Tailwind. Os restantes 350ml seria para ir bebendo até meio da prova.

Como eu era o único do grupo a participar nos 21kms, despedi-me deles e fui para a zona da partida, porque tanto a meia como a mini (10kms) começavam à mesma hora e no mesmo sitio, sem caixas de tempo ou de prova, e porque me disseram que ao fim de 200/300m as ruas afunilavam e seria complicado correr. Para quem não conhece Évora, esta é uma cidade onde a maioria dos atletas teriam muitas dificuldades em fazê-la porque estrada e passeio é tudo igual: em pedra da calçada!

Arranquei bem e com ritmo mais acelerado porque não gosto de ir a empatar quem vem atrás. Aproveitei as curvas, em que a malta se atropela para cortar 2metros do percurso pelos passeios, para os ultrapassar e ganhar algumas posições. Os primeiros 3kms da prova foram praticamente sempre a descer. Não há muito altimetria, mas corremos pelas ruas da cidade em ziguezague e acabámos por estar sempre a descer. Felizmente não choveu, ou algumas zonas seriam um autêntico deslizar até parar contra uma parede. Aos 3kms, quando já estávamos fora das muralhas, ia com 14' e a sentir-me bem a todos os níveis. Entrámos numa zona de alcatrão e plana, que me permitiu estabilizar o ritmo entre os 4'30"-4'45". Aos 5kms estava com 23' e começo a fazer contas de cabeça: "Ora, a continuar assim faço 46-47' aos 10kms, depois mais 1hora para os outros 11kms (já a contar com alguma quebra) e consigo acabar ali perto da 1h50'.. TOP!!". Continuei a impor o ritmo a que ia sem grandes dificuldades e bebericando o que me restava de Tailwind. A passagem aos 10kms deu-se aos 46' e tudo parecia bater certo com as previsões.

Comecei a pensar que, com jeitinho, conseguia uma tempo abaixo do que queria inicialmente.

Foi então que em determinadas ocasiões sentia que o estava a abrandar o ritmo. Olhava para o relógio e ia a 4'45". Dava ordem às pernas de acelerarem e elas respondiam de imediato que sim. A partir daqui deixei de olhar para o relógio e ir ao ritmo mais rápido que me fosse confortável. Se rebentasse, rebentava, mas não queria abrandar uma vez que me estava a sentir muito bem, sem qualquer tipo de dores, cansaço físico ou desmotivação mental. Decidi que só iria olhar para o tempo no marco dos 17kms e que queria estar com 1h30', para conseguir fazer os últimos 4kms em cerca de 20' e conseguir o objetivo. Como fui sempre a uma boa velocidade, nunca iam muito atletas ao meu lado. O que fiz foi escolher alguém que fosse uma centena de metros à minha frente e usá-lo como lebre para o ultrapassar. Ao fazer isto, quando dei por mim estava a ver a placa dos 17kms a umas dezenas de metros. Quando estava ao lado dela lá olhei para o relógio e por momentos pensei que alguma coisa estava mal, pois indicava 1h19'!

Comecei a pensar que, com jeitinho, conseguia ter um novo recorde pessoal.

O meu melhor tempo da meia maratona era de 1h43' e alcançado na Meia Maratona de Lisboa 2012. A conseguir manter o ritmo a que ia, ficar muito perto de 1h40' era possivel. Mas os 3kms finais seriam com algumas subidas, não muito inclinadas, mas longas o suficiente para fazer estragos.  Por uma ou outra vez tive de cerrar o dente e "obrigar" as pernas a darem um pouco mais para conseguir correr sempre abaixo dos 5'/km. O que consegui. Voltei a atravessar as muralhas e entrar na cidade, sabendo que os últimos 400m seria muito duros com uma subida de cerca de 10-15%, em calçada. Olhei para o relógio e percebi que se não quebrasse por nada, conseguia um tempo abaixo de 1h40'. Fui ao mais fundo de mim, gritei mentalmente, baixei a cabeça e acelerei com quantas forças me restavam!

Entrada nos últimos 30m, já com o sabor de novo recorde na boca!

Cortei a meta com 1h39'43"!

Esta é a minha cara de espanto por ter feito novo recorde pessoal!



Novo recorde pessoal, objetivo mais que cumprido e felicidade extrema por sentir que corpo e mente reagiram sempre bem. Se calhar alguma das minhas lesões no cérebro fizeram de mim um gajo que aguenta mais e melhor esforços físicos! É nisto que vou acreditar. :)

Quanto à prova, percurso agradável e desafiador, com muita gente a apoiar os atletas, excepto quando estávamos mais afastados da cidade e a percorrer partes de estradas nacionais. Abastecimentos nos sítios indicados e com muito voluntário. Mas, se calhar, dar uma maça inteira num abastecimento não será a melhor ideia! hehe Mais uma vez Tailwind mostrou-se uma muito boa opção, e as meias Mund as melhores amigas dos meus pés!

terça-feira, 19 de maio de 2015

A escaldante Meia Maratona Douro Vinhateiro.

A esta hora já todos sabem que o Paulinho conseguiu completar a meia maratona em cerca de 2h10m. O que é um excelente e fantástico tempo, se tivermos em conta que é portador de Síndrome de Down, ou Trissomia 21. Mas acho que, apesar do seu grande feito, também podemos falar de mim.

Para eu poder dizer que estou em forma, terei que me justificar que redondo também é uma forma. Estou tão mal, mas tão mal, que já nem consigo correr 21kms seguidos sem parar para andar. Mas já lá vamos.

É assim o Douro Vinhateiro


No domingo, 17 de Maio, foi a X Meia Maratona Douro Vinhateiro, um prova inserida no circuito Running Wonders. Este é um circuito de provas que se realizam em património mundial. A bem falar, esta prova não estava de todo no meu calendário, nem tão pouco a conhecia, mas, num passatempo do Correr na Cidade, acabei por ganhar duas inscrições e aproveitei para um fim de semana de passeio, romance e desporto. Encontrei um sitio barato para passar a noite, na localidade do Mezio, e, no dia 16, arranquei em direção às encostas vinhateiras. Quando cheguei, a primeira coisa que fiz foi ir levantar os dorsais. O secretariado estava montado no Museu do Douro, a simular uma espécie de aldeia, com os vários stands. Foi tudo rápido e sem problemas. Deram-nos o dorsal, uma t-shirt técnica, um Passaporte que levou o carimbo desta prova e uma garrafa de Moscatel do Douro.

A vista do secretariado


Depois do kit levantado, hora de procurar o almoço e passear à beira-rio. Estava um calor infernal, o que previa que a prova seria dura, pelo menos, nesse aspeto. Depois de percorrermos a ciclopista, decidimos aproveitar as sombras para nos estendermos na relva. Não devem ter passado 10minutos até começar a ressonar que nem um pequeno animal. Acreditem, ou não, ainda passei pelas brasas durante quase 1 hora. A minha Maria diz que também dormitou (sem ressonar, claro!), e foi uma sorte ninguém nos ter lá ido gamar os chapéus. Mas a verdade é que se estava ali mesmo bem.


O local da sesta


Entretanto já estava a chegar a hora do jantar e decidimos ir para o Mezio, onde passámos a noite na Casa do Arco. Depois do jantar, hora de preparar tudo para no domingo sairmos de casa por volta das 8h. Ainda estávamos a uns 15minutos de viagem de carro, e queriamos tomar o pequeno almoço por lá, antes da prova começar.

Correr de alças sabe mesmo bem!


Domingo, 7horas e despertador a tocar. "Nem durante a semana me levanto tão cedo!", resmungou ela. Vestir, verificar se estava tudo ok e arrancar para Peso da Régua. Deixamos o carro num enorme espaço livre sem qualquer problema. Aqui, resolveram bem o problema do estacionamento para tanta gente. Tomar o pequeno almoço, apanhar o comboio e sair na estação da Barragem do Bagaúste. Faltava praticamente 1h30m para a prova começar (10:30) e o sol, cada vez mais alto, empurrava as pessoas para tudo o que era sombra. Quando faltavam pouco mais de 20minutos para o início, despedi-me da Maria e fui para a zona do pessoal da Meia Maratona. Quando lá cheguei, encontrei mais dois Gafanhotos e ali ficámos à espera do tiro. Ainda estava lá outro Gafanhoto, mas na zona da elite.

A mais bela e a mais quente!

A vista de cima da ponte

Três gafanhotos


A prova não começou à hora prevista. Teve, pelo menos no meu relógio, um atraso de 6minutos. Nada de muito grave, mas quanto mais tarde era, mais o calor apertava. Tiro de partida e lá vamos nós. Queria baixar o meu melhor tempo e conseguir baixar das 1h40m. Queria.... A disposição das encostas, cria um pequeno efeito enganador, uma perspectiva diferente da realidade. O que me parecia ser a subir era a descer, e vice-versa. A prova seguia sempre pela mesma estrada, começando para a esquerda a seguir à ponte (em direção a Pinhão) durante pouco mais de 7,5kms, e depois dando a volta em direção a Peso da Régua.

A prova é, de facto, muito bela - se é a mais bela não sei -, mas é, também, uma das mais quentes. A meio de Maio, às 11h da manhã, faz um calor imenso! Numa estrada de alcatrão, com rio de um lado e encosta do outro, sobra pouco para sombras. Com o sol a pique, as sombras estavam apenas a cobrir um pouco das bermas. Depois de conseguir ultrapassar uma quantidade considerável de gente, lá consegui estabelecer um ritmo constante de 4:44 - 4:47. Fui assim até ao km 14. Ia com pouco mais de 1hora de corrida. A cada abastecimento, duas garrafas de água: uma para beber, outra para despejar por mim abaixo. Sentia-me bem, o corpo estava a responder como queria e ia praticamente em piloto automático. Pensei que a manter-me assim, aumentaria a velocidade nos kms finais para conseguir novo PBT. Mas o sol abrasador e a quantidade de água que devo ter bebida, começou a fazer mossa no estômago. Sentia um enorme desconforto, sentia-o pesado e como se a água estivesse ali dentro em demasia. Talvez, por ter despejado água por cima de mim e ter aproveitado as mangueiradas dos bombeiros durante a prova, o corpo não sentiu tanta necessidade de transpirar, o que dificultou a absorção da água. Sei que ao km 15 tive que caminhar a primeira vez. Lá se foram os meus planos por água abaixo - literalmente! A partir daí, foi gerir e tentar ficar abaixo das 1h50m. Sempre que recomeçava a correr, o estômago dava sinais de não querer, e quando já não aguentava mais, caminhava. Pelo caminho, muita gente a passar mal, muita gente a receber assistência, alguma gente desmaiada. O calor era imenso, uma coisa mesmo escaldante, e as pessoas não têm o discernimento de abrandar o ritmo. Não vão ganhar a prova, mesmo que queiram bater o seu melhor tempo, a nossa saúde está sempre em primeiro lugar. Pelo menos, é assim que penso e foi assim que agi.
Os dois últimos kms foram sempre feitos a correr. Aqui já tínhamos o imenso apoio do público e a prova fazia-se pelas ruas de Peso da Régua. Num último esforço, aumentei o ritmo e consegui terminar a prova em cerca de 1h47m. ficou muito longe do que pretendia fazer, mas foi o melhor que consegui. Valeu a pena pela beleza da prova, da região e pelo passeio que dei. Não sei se a voltarei a fazer, mas recomendo-a a todas as pessoas.

Eu e a medalha de cortiça

O meu tempo 'oficial'

Olha eu na tv!!!

Uma foto de que gosto mesmo muito!


Falta, agora, falar do meu maior orgulho: a minha Maria! Foi a primeira vez que participou numa prova destas, e superou-a muito bem. Não foi na meia maratona, mas foi na caminhada dos 6kms, e fê-los em 51minutos. Para uma pessoa que odeia correr, vestiu bem a camisola e ainda me disse que correu quando as pessoas que iam à sua frente começavam a atrapalhar-lhe o ritmo. Não recebeu medalha no final, mas recebeu o meu beijo e abraço e reconhecimento, que é ainda melhor! Quem sabe, se, a pouco e pouco, a meto a correr!