Bearded Runner on Instagram

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Vou contar-vos uma história.

Olá.

Puxem de uma pedra e sentem-se aqui perto da lareira enquanto vos conto uma história.
A história de como, num espaço de um ano, se passa de um tempo de 43' para 60' numa prova de 10kms.

Em 2016, na Corrida Sporting, estava em grande forma. Apesar da lesão no MIUT em abril, consegui terminar a OMD 100K em junho e em julho acabei por fazer um tempo melhor que o esperado nos 10kms em estrada: 43'. Depois disso, os treinos e provas ficaram um pouco para segundo plano pois tinha começado um trabalho novo, o de consultor imobiliário na KW Ábaco. Quando pensei que iria ter mais tempo livre, foi o inverso. É verdade que a minha capacidade de gerir o tempo não é das melhores, mas, ao contrário do que se pensa, esta profissão não é fácil, ainda para mais quando se começa do zero, sem base de dados de clientes vendedores e compradores.

Mas adiante... A coisa lá começou a correr bem e a conseguir os primeiros negócios, e, um pouco mais animado com tudo (€€€€!!) decidi voltar a dedicar um pouco do meu tempo à corrida. Aqui já estamos em abril de 2017 e, desde setembro, os treinos/provas podiam ser contados pelos dedos das duas mãos. Mas o trabalho apertou e acabei por nunca ir correr. No dia 11 de maio, a minha empresa tem o chamado Red Day em que todas as agências fecham as portas para dedicarem o seu tempo a ajudar uma causa social. Apesar de ter dito que ia, não o fiz porque a minha perna esquerda não me estava a responder bem. Tinha dificuldades em mexê-la, levantá-la e o pé arrastava pelo chão. Comecei a pensar que pudesse ser falta de exercício ou de alongamentos, pelo que os comecei a fazer e, de facto, sentia os músculos presos. Passados dois ou três dias a perna continuo igual e comecei a sentir formigueiros e dormências no braço direito. Como em 2015 tinha tido uma situação semelhante (mesmos sintomas) e o RX no hospital não detetou nada, a médica receitou-me um relaxante muscular, passado uns dias senti-me melhor, e foi por isso que, desta vez, fiz o mesmo e tomei novamente os relaxantes. Mas, mesmo assim, não senti qualquer tipo de melhoria. Continuei a trabalhar, a fazer visitas com clientes, mas, dia após dia, sentia-me a piorar. Comecei a ter uma ligeira sensação de névoa no olho esquerdo e que enrolava a língua quando queria falar. Conduzir começou a ser uma tarefa difícil devido a todos os sintomas. Foi então que no dia 17 de maio fui para o Hospital de Santa Maria para perceber o que se passava. Uma amiga que é lá médica deu-me indicação  para a chamar quando lá chegasse e  acompanhou-me durante e depois da triagem. Foi para a consulta de neurologia e, após alguns exames iniciais, fui fazer um TAC. Depois foi esperar pelo resultado. A primeira vez que voltei a falar com a médica que me viu inicialmente, disse-me que queria falar melhor com o chefe dela. Às 16h, 7 horas depois de lá ter entrado, a médica vem ter novamente comigo e diz-me que tem algo para me propor mas que eu talvez não vá gostar. Lá me disse que era ser internado porque era a forma mais rápida de fazer uma ressonância magnética. A outra opção era ir embora e esperar 4 meses por uma vaga. Olhei para a namorada, ela olhou para mim e dissemos que sim. Às 23h estava a ser encaminhado para o meu quarto. No dia seguinte, quando me preparava para ir comer o almoço, já tinha o tabuleiro à minha frente, aparece uma enfermeira a correr e tirou-me a comida debaixo do nariz, porque ia fazer a ressonância durante a tarde. Às 15h estava a fazê-la. Algum tempo depois, vem a médica interna de neurologia com o meu diagnóstico: Esclerose Múltipla.

O choque só não foi maior porque desde que fiz o TAC já se suspeitava disso. Acabei por me ir mentalizando que, se fosse esse o caso, não valia a pena começar a sofrer por antecipação. A doença não tem cura, mas tem tratamento e casos de pessoas que passam anos sem qualquer tipo de surto. E como há 4 tipos de EM, dependendo da sua gravidade, e só se sabe qual é com o passar do tempo, fiquei mais "descansado". Ao ponto de me rir da situação quando a médica estava a falar comigo. Claro que não era um riso de alegria, era mais de nervosismo, mas que não se consegue controlar. Comecei imediatamente o tratamento com corticóides, diretamente na veia, e fiquei no hospital durante 6 dias. Durante esse período de tempo, fiz análises aos sangue e um exame aos olhos. A pouco e pouco a coisa foi melhorando. Já conseguia andar um pouco melhor e já tinha força suficiente na mão esquerda para comer sem ajuda, embora a coordenação não fosse a melhor. Passados esses 6 dias saí do hospital e voltei para casa, ainda não totalmente recuperado mas a caminhar nesse sentido.

Mas ao segundo dia em casa, sozinho porque a namorada foi trabalhar, é que a coisa me bateu a sério, quando me tentei levantar da cama e o lado esquerdo não respondia às ordens do cérebro e não tinha força, finalmente, desabei e larguei as primeiras lágrimas. Lá consegui enviar uma mensagem à namorada a perguntar se podia vir para casa, o que fez imediatamente, ficando de baixa para acompanhamento de familiar. Quando chegou e me abraçou, novas lágrimas, num misto de tristeza por mim e de imensa gratidão na mulher que tenho a meu lado. No dia 31 de maio fui à primeira consulta de acompanhamento. Basicamente falar com o especialista para me tirar algumas dúvidas e definir o tratamento que irei fazer para já. A decisão recaiu sobre um injetável que faço de 15 em 15 dias. Não é o tratamento mais eficaz, mas é o que apresenta menos efeitos secundários. Uma vez que a doença é crónica e a medicação terá de ser durante o resto da vida, convém começar assim. cerca de uma semana depois, quando as coisas pareciam estar a melhorar, os formigueiros e dormências do lado direito voltaram, e desta vez apanhavam todo o lado direito. Literalmente dos pés à cabeça. Quando a enfermeiro veio a minha casa para me ensinar a dar a injeção, disse-me que isto não seria um novo surto, mas ainda efeitos do anterior e que o calor imenso que se fazia sentir podia estar a influenciar. Decidi ir dormir para a sala e deixar a janela aberta. Ao fim de 4 noites as melhorias eram significativas.

Foi então que decidi voltar a correr e inscrever-me na Corrida Sporting. Mas ir correr 10kms mês e meio depois de um surto, com os efeitos da medicação e sem treinar há vários meses não era a melhor ideia. Assim, na semana antes da prova corri duas vezes: 4kms em 27minutos e 5.85kms em 37minutos. Em ambos os treinos percebi que as pernas estavam 'presas' e que a prova ia ser dura, principalmente a subir a Fontes Pereira de Melo. E não me enganei. Aliás, qualquer subida, mesmo que ligeira e curta (túneis do Campo Grande) me causava enorme dificuldade a correr. As coxas estavam nitidamente a sofrer e a pedir para parar. Sabendo que iria ter estas condicionantes, fui para a prova com dois objetivos: fazer a prova toda a correr e terminar antes dos 60minutos. Consegui o primeiro - embora tenha obrigado o cérebro a mandar as pernas correr, pois se parasse já não devia conseguir voltar a correr -, mas falhei o segundo por 59 segundos - terminando a prova em 60'59". Sim, parecem objetivos pequenos, mas temos de os adaptar à realidade do momento.

E é por isto, meus amigos e minha amigas, que de um ano para o outro um gajo faz 17minutos a mais na distância de 10kms. Isto não quer dizer que vou parar de correr ou de querer fazer algumas provas. Como sabem, tenho o MIUT para terminar e quero que seja já em 2018 (a inscrição vai ser feita em outubro e espero que em abril continue sem surtos nem nada do género), quero tentar uma prova de 100 milhas (talvez a OMD) e gostaria muito de fazer um Ironman. Como é óbvio não vou fazer tudo ao mesmo tempo, nem tão pouco de forma apressada. Vou, primeiro, perceber como é que a EM me condiciona e, a partir daí, gerir as coisas para atingir os meus objetivos. A única certeza que tenho é que não vou deixar que a doença me impeça de lutar por aquilo que quero e gosto.

Mas afinal o que é a esclerose múltipla? É uma doença auto-imune que afeta o sistema nervoso central. Em forma resumida, o meu sistema imunitário assume que a mielina (camada que reveste o SNC) é uma intrusa e que tem de a atacar e destruir. Quando isto acontece, o cérebro começa a perder a capacidade de comunicar com o resto do corpo. Se quiserem saber mais sobre a doença, o melhor é irem ao site da SPEM. Está lá toda a informação que precisam.

Agora... agora resta-me conviver com a doença e 'rezar' para que os surtos não mais apareçam.
Nunca desistam e lutem sempre por aquilo que gostam. Tracem objetivos e vão atrás deles, mesmo que os outros vos digam que "é demais para ti". A força está no crer, a meta está no querer.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Corrida do Sporting 2017

Olá caros amig@s desta coisa das corridas!

Já tinham saudades minhas, já não se lembram de mim ou tanto vos dá como se deu?

Acredito que ainda haja por aí umas almas que até sentiam um pouco a minha ausência.

Mas se há altura em que volto sempre de certeza, é na corrida do Sporting. Posso estar sem correr meses, mas a inscrição e participação nesta prova é 100% garantido. E este ano voltei a repetir o ritual de estar a saltitar à espera do "tiro" de partida. Depois esta prova, apesar de ser em asfalto tem alguma partes mais complicadas (os túneis do Campo Grande e subir a Fontes Pereira de Melo), principalmente para quem apenas fez dois treinos antes da prova - um treino de 4kms e outro de 5,85kms. Mas consegui fazê-la toda sempre a correr, o que foi uma vitória. Acreditem!

A corrida do Sporting tem algumas características que me agradam muito: o horário, a partida, o percurso e a chegada.

O horário: Ao contrário da grande maioria das provas, a corrida do Sporting começa às 20h30, e a explicação é muito simples e concordo com ela a 1000%. Não é por causa do calor, não é para se ver o estádio iluminado ou as luzes da cidade. É apenas para que quem vem de fora de Lisboa, de norte a sul do país, consiga chegar a horas sem ter de se levantar de madrugada. Mais, é possível fazer inscrições na corrida de última hora, para o caso de algum acompanhante decidir participar ou não se ter inscrito no período normal.

A partida: Dá-se numa das laterais do estádio e permite aos atletas contemplarem um dos estádios mais lindos de Portugal. Permite ainda que os acompanhantes dos atletas os consigam ver e desejar boa sorte. Apesar disto, continua a haver, 200m depois da partida, uma zona de afunilamento onde a passagem fica muito dificultada. Quem arranca na elite e muito próximo dela consegue evitar a chatice de estar a levar com o pessoal que parte no fundo do pelotão mas que quer à força toda ganhar a corrida. Nunca ganham. A única coisa que conseguem é acotovelar e pisar quem está a evitar passar sem atropelar.

O percurso: Sai-se do estádio em direção ao Campo Grande, seguimos a Avenida da República, descemos a Fontes Pereira de Melo e voltamos para trás no cruzamento da Augusto Aguiar. Este percurso aliado à hora da corrida faz com que haja sempre muito público a ver passar os atletas, e isso é sempre algo motivador.

A chegada: É dentro do estádio, o que, para os adeptos, é sempre algo espetacular. Já entrámos e subimos logo para a parte relvada atrás da baliza onde estava o pórtico da chegada, já demos uma volta ao fosso antes de subir para o relvado, já terminámos mesmo à entrada do fosso, subindo logo de seguida para a parte relvada... Mas este ano foi uma grande desilusão, pelo menos para mim, quando o pórtico da chegada estava dentro do fosso e foi por aí que se continuou até sair para as bancadas, onde, finalmente, se conseguiu ver o relvado.

Sobre a minha prova. Devido a alguns condicionantes, fui com dois objetivos muito concretos: conseguir fazer a prova toda a correr e terminar abaixo dos 60 minutos. Se consegui o primeiro, o segundo falhei-o por 59 segundos. Para o ano há-de correr melhor. A única certeza que tenho é que, a haver nova edição, lá estarei.


O tempo de 2016


 O tempo de 2017



Sobre o porquê desta (des)evolução, contar-vos-ei tudo brevemente.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

OH MEU DEUS - Ultra Trail Serra da Estrela 100K+ [Parte 1]

Uma prova que não estava no meu calendário. Uma prova para a qual não me preparei. Uma prova sem estratégia. Uma prova onde só vi o gráfico uma semana antes. Um dia de prova onde não descansei. Uma chegada à partida 5horas antes de começar.  Duas quedas, uma aos 17kms e outra aos 37kms, em ambas o que me salvou de cair para o abismo foram raízes e pedras que me travaram pela zona testicular (doloroso, mas ajudou). Manadas de vacas no meio das estradas. Rebanhos de cabras no meio dos trilhos. Uma prova perfeita até à segunda subida à Torre. Uma Garganta de Loriga demolidora. Pés com alergia, bolhas e doridos. 25kms finais de sofrimento. 36kms que demoraram quase tanto como os primeiros 72. 109kms, 5800D+, 25h34'11". A minha prova. O meu Oh Meu Deus - Ultra Trail Serra da Estrela 100K+!


Depois da pouca sorte que se abateu sobre mim na Madeira, entrei numa fase de nojo à corrida que fez com que o sofá fosse trocando os trilhos a pouco e pouco. Entretanto surgiu a oportunidade de ficar com um dorsal para o Oh Meu Deus 100K+ e pensei "Porque não?". Apesar de no pós-MIUT não ter treinado quase nada, sentia que os treinos de preparação ainda se faziam sentir no corpo e achei que esta prova seria a melhor hipótese de completar o objetivo de completar uma prova com mais de 100kms, sem ter de recomeçar tudo do início ou perder grande parte do trabalho que tinha feito. A estratégia não fugiria muito da delineada para o MIUT em termos de nutrição em prova e a gestão de esforço parecia-me ser mais fácil. Vai daí e arrisquei mesmo. Durante o mês de Maio, corri cerca de 90kms, muitos deles em plano ou com um desnível muito baixo. No dia 3 de junho, pelas 19horas, tinha o meu dorsal na mão.

O Oh Meu Deus - Ultra Trail Serra da Estrela é a verdadeira imagem de quem a organiza, tanto para o bem como para o menos bem: a Horizontes. A Horizontes tem no seu core de prova, o conceito de "maraturismo", que não é mais do que fazer turismo ao mesmo tempo que vamos a uma prova. Esta prova não foi diferente. Com várias distâncias - 160, 100, 70, 40 e 21kms - permite que cada um vá na que se sente mais confortável, que grupos de amigos participem em diferentes provas e que se encontrem todos no final para festejar. É uma organização que pauta as suas provas por percursos rolantes com zonas de grande dificuldade. A OMD não foi diferente. Tem as distâncias e o desnível suficiente para que a elite lá queira ir mostrar o que vale, ao mesmo tempo que consegue ser suficientemente "rolante" para que o atleta de fundo da tabela como eu a consiga acabar e rejubilar com o seu feito. Os 109kms que fiz são sinónimo disso: estradões largos e compridos que nos permitem soltar as pernas, a tempo de recuperarem para a subida ou descida técnica e desgastante/demolidora/violenta que se aproxima. No entanto, se há ponto onde acho que costumam estar menos bem é na marcação do percurso. E, mais uma vez, o OMD não foi exceção. Quando durante o briefing da prova ouvi o Paulo dizer que em algumas zonas teríamos dificuldade em ver as fitas e que teríamos de andar a procurar o caminho, tomei aquilo como um mau presságio, que se veio a confirmar. Se a organização faz o percurso antes da prova, se sabem que esta ou aquela zona mais complicada, o melhor mesmo é "descomplicar" e prender mais fitas. Prendê-las de 5 em 5 metros - ou menos - se for preciso. O que não pode acontecer é que durante a primeira subida à Torre, ainda noite escura e com algum nevoeiro à mistura, haja um comboio de cerca de 15 atletas à procura de uma fita que lhes indique o caminho a seguir. O que não pode acontecer é que em zonas de arvoredo alto e denso, as fitas estejam presas ao nível dos nossos joelhos, colados numa rocha ou mesmo atrás de um bloco de granito. O que não pode acontecer é seguirmos uma estrada e ao chegarmos a uma bifurcação não haver indicação de por onde ir, ou encontrarmos uma fita a 200m e depois de uma curva. Em lado algum diz que é obrigatório ter um relógio GPS para participar nestas provas, menos ainda uma pessoa é obrigada a ter um para se poder inscrever. Lembro que o vencedor deste ano do MIUT levava um Casio, daqueles dos anos 90, e nunca se enganou no caminho, precisamente pela marcação imaculada. Outro pormenor durante o percurso é a ausência de alguém da organização ou voluntários a ajudar na indicação do caminho a seguir, alguém nos cruzamentos, alguém nas zonas mais perigosas ou vá, alguém que seja durante o percurso sem ser nos abastecimentos. Eu vi pessoas a atalharem caminho durante a enorme descida em esses, depois da primeira ida à Torre. Vi quem tenha feito os esses a direito. Ok, aqui está na consciência de cada um os seus atos, mas se houvesse alguém durante o percurso a ver os atletas, sentiam-se menos corajosos para se enganarem a eles próprios. De resto, abastecimentos sempre nos kms certos, sempre com tudo e mais alguma coisa, sempre com gente simpática e a querer ajudar os atletas. A equipa médica na Torre a fazer um belíssimo serviço, impedindo que quem quer que fosse saísse de lá em risco de entrar em hipotermia. Uma medalha bem gira e uma chegada à meta com uma boa receção de quem lá passou a noite (organização e equipa médica). Um último detalhe que acho que muitas organizações fazem: ter um final de prova exageradamente difícil. Acho que o desafio da prova deve estar nos seus primeiros 90%, permitindo que os kms finais sejam de alegria e onde os atletas preparam o seu melhor sorriso para as câmaras que os esperam na meta, em vez de terem de enfrentar mais uma subida ou descida técnica, que os vai deixar a desesperar pelo fim da prova e com um ar desagradado ao cortarem a meta.

Atenção: esta é apenas a minha opinião e que não deve ser tomada como a opinião dos outros atletas que participaram no OH MEU DEUS - Ultra Trail Serra da Estrela.

Antes da partida.


PS: O resumo da prova fica para esta semana ainda!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

TSF Runners 3ª edição

No passado sábado, dia 14 Maio 2016, participei pela primeira vez na 3º edição da corrida TSF Runners.

Não era uma corrida que fizesse parte dos meus planos, muito por causa de ser em estrada e só 10kms, mas foi-me oferecido um dorsal e não resisti em ir lá e tentar um novo PBT.

[Ok, confesso. O maior motivo que me levou a aceitar foi o querer terminar uma prova depois do que se passou na Madeira. É, ainda, uma coisa que não esqueci, que me custa a aceitar e que pensei que atenuasse depois de correr uma prova do início ao fim. Ajudou um pouco, vá.]

Adiante... Apesar de ter um dorsal, estive quase para não ir. Depois ia de certeza. A seguir já não sabia se ia e acabei mesmo por ir. Não, não estou a ficar esquizofrénico, mas o dia de sábado foi um tanto ou quanto atribulado. Já o expliquei no facebook do blog, mas como nem todos lá vão, deixo aqui como foi em 15 pontos:

1- Acordar às 8h.
2- Ir tomar o pequeno almoço à Padaria Portuguesa.
3- Sair de Lisboa e ir adotar um cão à Lourinhã, através da Associação Projecto JAVA.
4- Ir com o pequeno cão ao veterinário e chamar-lhe Pistacho.
5- Chegar a casa às 15horas e almoçar uns noddles de frango instantâneos.
6- Ir ao Continente comprar comida, comedouro e brinquedos para o Pistacho.
7- Chegar a casa às 16h10 e equipar à pressa.
8- Sair de casa às 16:37.
9- Chegar à partida às 16:59.
10- Esquecer da fita para partir nos sub45 e partir no final de todos.
11- Correr que nem um louco até ao primeiro abastecimento porque não bebemos água em todo o dia.
12- Tentar apanhar o pacer dos sub40'.
13- Cruzar a meta e perceber que se fez um novo PBT.
14- Tirar foto à medalha, ao tempo no relógio e às sapatilhas Crivit (Lidl) e postar nas redes sociais.
15- Ir para casa e chegar lá 1h40 depois de ter saído.

Espetacular, não é?! E querem conhecer o Pistacho? Aqui está ele...

Pistacho. A ver se cresce e me acompanha nos treinos!

Sobre o meu desempenho. Era mesmo o que estava a precisar, acima de tudo, a nível anímico. Podia ter sido melhor se, de facto, não me tivesse esquecido da pulseira sub45'. Mesmo a chegar a 1 minuto do tiro da partida, entrava no meu bloco e evita ter de ir para o fim da pequena multidão que ali se reuniu numa tarde de sol para encher Belém de cor e boa disposição. A minha posição na geral podia ter sido melhor, mas o que conta é o tempo bruto, por isso...

Bem, tiro de partida e caminho devagar em direção ao pórtico de partida, sem forçar ultrapassagens ainda antes da contagem (para mim) começar a sério. Assim que ligo o relógio, ligo também o chip mental de competição e acelero a tentar ultrapassar tudo e todos. Aos fim de umas centenas de metros, encontro pessoal amigo e não resisti a meter um pouco de conversa. Este primeiro km foi o meu mais lento, feito em 4'22".
A partir daqui a estratégia foi tentar ultrapassar o pacer dos sub45' e, depois, fazer os possíveis para apanhar o dos sub40'. Com um 2º, 3º e 4º km a 4'06", 4'12", 4'21" respetivamente, o primeiro pacer foi rapidamente apanhado. Imprimi um ritmo mais vivaço, de acordo com o que o corpo me permitia tendo em conta que estava mal alimentado, arranjei uma lebre e os 5 kms seguintes foram feitos entre os 4'15" e os 4'16". Um autêntico relógio suiço. O último km, feito a 4'10", não foi o suficiente para conseguir um tempo abaixo dos 40', mas o suficiente para conseguir um novo recorde pessoal. Assim, terá de ser na corrida do Sporting que vou tentar chegar a este patamar.



Sobre a organização: Três abastecimentos numa prova de 10kms não se vê em todo o lado. Muitos voluntários a darem-nos água e a apoiar os atletas. Uma boa logística na divisão dos percursos das duas provas principais (5kms e 10kms), que evitou que andassem a correr lado a lado ou uns contra os outros. Uma meta com espaço suficiente para os atletas que chegam não terem de se sair dali à pressa. Uma medalha íman, um garrafa de água, uma maça e 2 pacotes de leite (que recusei) foram dados no final. Uma corrida para as crianças com vários insufláveis, fez-lhes as delicias e proporcionou-lhes momentos de grande diversão. Em resumo: tudo impecável e mais não se podia pedir. Não encontrei nenhuma falha e é uma prova que terei todo o gosto em voltar a repetir.

Por último, este recorde pessoal foi obtido com uns sapatos do Lidl, marca Crivit, e que me custaram 20€. Não, não têm a tecnologia de ponta das sapatilhas de 150€, mas, para mim, são impecáveis e mais que suficientes para estas corridas. Por isso, já sabem, às vezes o melhor não é o mais caro.