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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Entrevista com João Campos - PAVNESC

O João Campos, do blogue PAVNESC (Porque a vida não é só corrida) e criador do projeto "Corredor do Bus", é, talvez, um dos corredores amadores mais conhecidos nisto do mundo da corrida de estrada e dos trilhos. É, ao mesmo tempo, uma pessoa que inspira outras a se superarem.
Conheci o João, primeiro, pelo instagram. E foi no dia da maratona do Porto, a 2 de Novembro de 2014, que tirámos a primeira foto. Desde esse dia, muitas foram as corridas, treinos e aventuras que fizemos/tivemos em conjunto. Por isto, achei que seria a pessoa ideal para iniciar um projeto neste espaço. Quero entrevistar algumas pessoas disto dos blogues e das corridas, para que os possamos conhecer um pouco mais e, quem sabe, conseguir inspirar outros a começarem a correr (ou outra qualquer atividade onde se queiram superar). A ideia é tentar, com as diferentes pessoas, abordar os mais variados temas.
Desde já, desculpem se isto não tem qualquer interesse, mas eu acho que vão gostar.
Momentos antes da maratona do Porto 2014.
Estou cá com um cabelinho!

Bearded Runner (BR): João, há cada vez mais pessoas a aderirem ao “running”, dizem até que é uma moda, mas tu já estás neste ‘mundo’ há mais tempo. Quando, e por quê, é que decidiste fazer da corrida um modo de vida?
João Campos (JC): Este é o meu “segundo regresso” ao mundo da corrida, uma espécie de ressurreição, digamos. Nunca fui muito activo (fisicamente), embora algures na década passada tenha sido praticante de BTT, corrida e squash relativamente assíduo. O regresso, foi por desafio, há quatro anos e picos atrás, ainda a “moda” estava nos seus primeiros dias.

BR: Entre outras coisas, és conhecido pelo projecto do “Corredor do Bus”. Fala-nos um pouco sobre esse projecto: se terminou, se o tencionas repetir ou se o pensas alargar a outras carreiras.
JC: O corredor do BUS, dificilmente terminará. O objectivo é percorrer, a correr, todas as carreiras de todos os operadores de transportes públicos do Mundo, e isso dá muitas carreiras. Assim, sempre que não há carreiras a serem percorridas, é só por uma questão de calendário ou logística da minha parte.
O projecto, é ambicioso mas também trabalhoso a nível logístico, operacional e especialmente a nível de levantamento de percursos. Sem apoio dos operadores de transportes públicos, o levantamento do percurso das carreiras tem de ser feito de forma manual, o que torna a tarefa duplamente complicada e morosa mas, tenho tempo para as fazer a todas.

BR: Treinos. Sabemos que é preciso treinar para que nos aguentemos nas provas. És o anfitrião de dois dos mais conhecidos treinos de grupo em Lisboa: o “Escadinhas & Subidinhas” e o “Vai Tudo Abaixo”. O que te levou a querer juntar um grupo de desconhecidos para treinarem em conjunto? Sentes que é uma forma de tu, também, te sentires motivado a treinar?
JC: O que me levou a fazer isso, eu próprio já me questionei. Em parte foi variar, e partilhar um pouco de mim "para fora". Na altura em que criei os primeiros treinos do tipo “vai tudo abaixo” (cuja conceito “de treino” não é original meu, note-se, treinos de corrida em percursos urbanos), esses foram “por convite”, limitados a um grupo reduzido de pessoas, e já o fazia sozinho antes disso. Pessoalmente não gosto muito de "correr a direito" portanto, os meus percursos são maioritariamente desse tipo.
De qualquer forma, no momento esses treinos “Vai tudo abaixo” estão “parados” pois, acabam por ser “mais do mesmo”, há mais grupos a fazer percursos desse tipo e são treinos que não têm, efectivamente, um grande elemento diferenciador. Tenho planeado, no início do Verão voltar com esse modelo mas, com algo diferenciador.
Já o modelo do “Escadinhas & Subidinhas”, esse surgiram por “brincadeira”, como “treino de preparação para outro treino” e entretanto, ficou e conto que continue assim. Já fazia também o percurso sozinho mas, esses treinos sim, considero desafiantes e diferentes do habitual, adequados a atletas de nível “médio” para cima e onde se pode facilmente quantificar a nossa evolução, melhorar a nossa prestação e ver a nossa melhoria de condição física, tendo nos percursos um “truque” que faz com que o equilíbrio entre os atletas menos fortes e os mais fortes seja conseguido de uma forma quase transparente.
Actualmente, os “Escadinhas & Subidinhas” realizam-se nas segundas terça-feiras e nas quartas quinta-feiras de cada mês, na Porta da Estação de Santa Apolónia em Lisboa, às 20h00.

BR: O mundo das corridas já não é o que era há uns anos. Hoje, há provas para todos os gostos e em todos os fins de semana. Não só de estrada, mas também de trilhos. Qual é para ti, o tipo de prova que mais gostas de correr?
JC: Para mim, a “Prova” continua a ser a Maratona de Estrada, pena só haverem duas por ano em Portugal Continental, e ser “complicado” participar em provas internacionais por motivos que nem vale a pena enumerar no caso.

BR: Falando em trilhos, é notório o aumento de participantes neste tipo de corridas. Qual achas que é o motivo desta migração? E quando é que deste o ‘salto’ para o ‘trail running’?
JC: Os trilhos e o motivo da migração, serão em grande parte, e na minha opinião, a moda, e também a “saturação” das provas de estrada de 10km semanais sempre no mesmo sítio.
O meu salto para os trilhos, bem... A primeira prova de “trilhos” que fiz, foi o “Corre Jamor” (que não é uma prova de trilhos na realidade). Embora tenha piso de terra batida em algumas partes, o Jamor é um sítio muito suave para ter uma percepção do que é realmente correr em trilhos.
A seguir a isso, fui a uma prova nocturna em Sintra, após uma tempestade, com um frontal fraquíssimo, sapatilhas de estrada e foi uma experiência inesquecível, não tanto pela dificuldade do percurso mas pelo conceito e pela aventura de ir para Sintra à noite naquelas condições.
A partir daí, comecei a juntar-me em Monsanto com um grupo de amigos, desde 6 de Março de 2013, na edição zero nos “Trilhos de Costume PR”, posso considerar esse dia, realmente, o dia do salto. Fomos quatro, eu e três participantes praticamente desconhecidos, eu com o mesmo frontal fraquíssimo e umas sapatilhas usadas oferecidas por um deles (que me acompanharam ainda bastantes quilómetros), e uma tareia memorável.

BR: Sabemos que é difícil escolher aquela prova que mais gostamos, mas se tivesses que escolher, qual seria a tua prova de estrada e de trilho de eleição? Por quê?
JC: Do que já fiz até agora, prova de estrada diria que a Maratona de Madrid, pelo apoio do público sempre presente nos 42,195 metros, sendo essa, relembro, a minha distância e tipo de prova favorita.
Outra prova “diferente” e "inesquecível" foi a primeira edição das 24h de Portugal em 2014. É uma prova em circuito de cerca de 2,100 metros que põe à prova a cabeça e o corpo. Repetirei este ano, para tentar bater as voltas ao percurso.
Quanto a provas de trilhos, é mais complicado avaliar, já tive experiências muito boas e algumas menos boas... No geral tudo depende dos padrões de avaliação que considerarmos (entre abastecimentos, percurso, marcações, organização) mas posso dizer que, em provas “curtas”, o Trilho das Dores nas Abitureiras em Santarém e o Duratrail em Setúbal me agradaram bastante e estão na agenda como provas a repetir sempre que possível. Na mesma categoria mas em percursos mais longos, o Trail Transfronteiriço de Barrancos e o Ultra Trail Nocturno de Óbidos e, em provas ainda mais longas, Trilhos de Sicó, em 2015.

BR: Qual foi o teu maior momento de superação numa corrida? E o teu pior momento?
JC: O maior momento de superação, por incrível que pareça foi conseguir, ao fim de quatro anos a correr, fazer menos de 50 minutos numa prova de 10km, as vitórias são tão relativas que, é mesmo assim... Não treino propriamente para bater o tempo nessa distância.
O meu pior momento, bem, não considero que tenha nunca “batido no fundo” mas, já passei por algumas tempestades violentas, desarranjos estomacais, duas vezes que não cheguei ao fim em provas (desistência numa e passagem fora de tempo num posto de controle noutra), já cheguei fora da hora limite noutras, de tudo um pouco...

BR: Sonhos. Todos nós sonhamos em completar determinada prova. Também terás os teus sonhos e desejos. Qual é a tua prova de sonho? Aquela que faz o teu coração bater mais rápido só por ouvires o seu nome.
JC: Talvez a Comrades Marathon na África do Sul e a Sparthatlon na Grécia, mas há tantas onde gostava de ir...

BR: Em jeito de despedida, queres deixar algum conselho ou dica para quem tem vontade de entrar nisto do “running”, de estrada ou de trilhos?
JC: Mas é claro que sim, todos somos um pouco de "treinador de bancada". A minha “base” de ideia é: Define objectivos, traça um plano e cumpre-o com alguma “flexibilidade” (para não caires no tédio e no stress do "cumprir à risca"). Não queimes etapas e faz as coisas gradualmente, a evolução na velocidade e nas distâncias. Isso fará a toda a diferença em ti quando a “moda do running” passar. Faz também algum fortalecimento muscular ou outro tipo de exercício complementar, porque a vida não é só corrida ;)

7 comentários:

  1. AMEI!!!
    Gosto muito do João é uma pessoa 5 estrelas, e a entrevista está muito boa!!!
    Parabéns ao entrevistador e ao entrevistado!!! :)

    Beijinhos

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    1. Ainda bem que gostaste.

      Sim, o João é um gajo impecável.

      Obrigado e beijinhos.

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  2. Belo conjunto de perguntas e respostas, gostei de ler :)

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    1. A ver se consigo manter o nível nas próximas. :)

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    2. Claro que vais ;)

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  3. Ha seculos que quero experimentar escadas e subidinhas. Mas fico sempre c a sensaçao que nao tenho pedalada Nem p metade dö percurso. Parabens Joao pelas conquistas

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    1. Vai. Sem medo. Consegues completar o percurso e não te preocupes com tempos, porque enquanto tu dás as tuas voltas, há sempre quem dê mais uma e ninguém espera por ninguém. :)

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