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domingo, 1 de outubro de 2017

Corrida do Tejo 2017 - Quando um erro compensa.

A Corrida do Tejo 2017 ficou marcada por 3 acontecimentos, onde apenas dois deles mereceram destaque nos grandes meios de comunicação: a vitória masculina de Jesus España, um atleta espanhol; a vitória feminina por parte de Ercilia Machado, mesmo depois de uma queda logo nos primeiros 30/40metros; o engano do Bearded Runner que lhe permitiu fazer um tempo muito abaixo do esperado. Claro que sobre este último acontecimento só eu é que falo, mas pronto...





Mas vamos lá ao que interessa. Esta prova marcava, para além de um regresso mais auspicioso às corridas, o correr a primeira vez com a tshirt mágica da SPEM.



Depois da Corrida Sporting, em que não consegui fazer o tempo que queria por segundos, fui para esta com pouco treino mas com vontade de baixar dos 60minutos. Mais uma vez, pode parecer um tempo modesto para quem já correu 10kms em 42', mas as coisas são como são e tenho de me adaptar ao que tenho agora. Em agosto corri 3 vezes e em setembro fui um "treino" de bicicleta e corri 2 vezes, sempre distâncias abaixo dos 10kms. Apesar disso, no dia da prova, às 9:10 estava a estacionar o carro em Algés. Desta vez fui sozinho e, enquanto estava na minha zona de partida, senti um nervoso que já não sentia há algum tempo.

Sabendo de antemão que não iria conseguir um tempo maravilhoso, mesmo assim enviei um comprovativo de um tempo abaixo dos 45', de outra prova, e consegui um lugar na caixa sub45 e na primeira vaga. Fi-lo consciente que se partisse muito atrás e a ter de ultrapassar muita gente, não conseguiria meter um bom ritmo inicial e que comprometeria o tempo que queria obter. Assim, antes da partida, enquanto estava no meu mundo de pensamentos, olhei em redor a tentar encontrar o pacer dos sub50, de forma a colar-me a ele quando passasse por mim.

Tiro da partida e lá vou eu. Comecei a um ritmo ao qual há muito não corria, abaixo dos 5'/km, e parecia que ia a uma velocidade estonteante. Neste primeiro km fui ultrapassado por quase todos os que estavam atrás de mim, só ultrapassando velhotes que, vá-se lá saber como, partem nestas corridas colados ao grupo da elite, e vão o caminho todo a andar e a prejudicar quem lá vai para correr. Entretanto, vejo a passar ao meu lado um pacer, olhei para a bandeira mas estava toda enrolada e não dava para perceber qual era. Assumi que era o sub50 e mantive um ritmo em que ia atrás dele uns 100m. Estava a sentir-me bem, as pernas estavam a responder e os pulmões a trabalharem bem. De vez em quando olhava para o relógio e percebia que, se conseguisse manter aquele ritmo, conseguiria um bom resultado. Mas isto era anda o inicio da prova, onde tudo é plano. Quando cheguei à primeira subida, ali ao lado do Jamor, embora as pernas continuassem a responder, o ritmo passou logo para a casa dos 5.20-5.30'/km. Foi aqui que tive de usar a cabeça pela primeira vez e obrigar as pernas a não abrandarem. Pensamento de "sou capaz" e quando dei por mim já estava a descer. Aqui, como em outras ocasiões, tive de me lembrar do que o grande José Carlos Santos (que me preparou para o MIUT em 2016) me disse sobre aumentar velocidade. Não é alargar a passada, mas sim aumentar a cadência da mesma. E na descida já estava a abrir demasiado as pernas.

Por esta altura estava a aproximar-me do meio da prova e o pacer já era um ponto vermelho lá ao fundo. O problema de provas de estada com grandes retas é que vemos a malta lá ao fundo mas estão mais longe do que parecem. Encosto-me à esquerda para apanhar uma garrafa de água e quando olho para a direita o que vejo?! Outro pacer com uma bandeira azul... A bandeira não estava enrolada e, para meu espanto, era o pacer dos sub45'! Ou seja, durante 5kms corri atrás do pacer dos sub40' quando pensei ser o sub50'. Isto deu-me um ânimo extra de que estava a correr tudo bem. aliás, melhor que o esperado! Decido fazer o que fiz com o outro e tentar acompanhar à distância. Se o conseguisse manter debaixo de olho até ao fim, provavelmente conseguiria um tempo abaixo dos 50'.

Mas ali a partir dos 7kms começou a custar. As pernas não conseguiam manter o ritmo, por muito que a cabeça dissesse para acelerar. Tenho, inclusivamente, de parar um pouco para passar beber água e lavar a cara. O calor já se fazia sentir com força e as minhas pernas estavam a perder as forças. :) Quando me recompus, arranquei e ao chegar à ingrata subida dos 8kms, sou ultrapassado pelo pacer dos sub50'. Sabia que um tempo abaixo dos 50' estava fora de questão, mas teria de manter um bom ritmo para não deitar tudo a perder nos últimos 2kms. Fechei os olhos, cerrei os dentes e gritei mentalmente para as pernas se mexerem ou atirava-as ao mar.

Entro no último km, olho para o relógio e marcava 48' e fiquei naquela "Sub60' já faço de certeza, sub50' já não faço de certeza, mas um sub55' é bem possivel!". Decido que depois de contornar a rotunda em direção à meta que ia fazer um sprint final, mas não passou apenas de um pensamento, pois as pernas não aceleravam mais nada. Ao aproximar-me da meta vejo o tempo e ia ficar na casa dos 53'.

Cortei a meta com uma alegria tal que mais parecia que tinha feito uma maratona em menos de 3h! Fui buscar a medalha e tive pena de não ter lá a namorada para o beijinho da vitória e a mana para a foto da praxe. Consegui, desta forma, atingir o objetivo de melhorar o tempo da última prova e ficar num tempo próximo daquele que fazia quando comecei nisto das corridas. Há ainda trabalho para fazer, mas esta corrida deu-me outro ânimo para encarar a Maratona de Lisboa no dia 15 de outubro. Mais uma vez, não vou lá para melhorar tempo pessoal na distância, mas sim para a terminar sem problemas. Se o vou conseguir, acho que sim. Basta meter a cabeça a funcionar quando as pernas quiserem desistir.


Sobre a organização e prova em si. É uma prova que gosto e onde não inventando muito conseguem ter algo de muito positivo. O percurso é desafiante o suficiente para se tentar, anos após ano, bater recorde pessoal, temos o mar a brindar-nos mais de metade da prova, é um percurso propício a que haja público a incentivar-nos e há animação em vários pontos. Os blocos de partida e as vagas também ajudam a quem de acordo com os seus ritmos, o pessoal não se ande a empurrar/acotovelar/pisar durante a parte inicial. É daquelas provas onde realmente gosto de participar.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Vamos lá então a isto de novo? Vamos!

Antes de mais quero começar por agradecer a todos os vossos comentários no post anterior. Apesar de não vos ter respondido, li todos e agradeci mentalmente a cada um de vocês.

A verdade é que não foi fácil lidar com as coisas e, embora o desabafo me tenha feito bem, o ânimo andou para cima e para baixo, deixando-me sem vontade do que quer que fosse. Mas mesmo assim decidi que tinha de retomar o meu dia a dia em todas as suas vertentes, entre elas, a corrida. E comecei a acordar e a querer ir correr, até para perceber como é que o corpo iria reagir. E todos os dias não passava dessa vontade. Precisava de algo mais. Foi então que me inscrevi na Corrida do Tejo. 10kms para tentar correr sem parar e voltar pelo menos a correr na casa dos 50minutos, se possível abaixo dos 55'. Mais uma vez, os objetivos têm de ser em concordância com as possibilidades e condições físicas de cada um. E se na Corrida Sporting falhei um dos objetivos por poucos segundos, desta vez gostaria de alcançar os a que me proponho. Esta corrida vai ser a minha primeira a correr com a tshirt da EM'Força!

E lá fui treinar... 3 vezes durante o mês de agosto! Um treino de 7,60kms em que ao fim de 4kms já deitava os pulmões pela boca e sentia as pernas pesadas, demorando 48'. Um segundo treino, 2 semanas depois, de 10kms pela Quinta das Conchas, mais uma vez com dificuldades na caixa torácica e nas pernas a partir dos 7kms, demorando 64'. E um terceiro treino, no dia a seguir ao segundo treino, com a intenção de fazer o mesmo percurso mas mais rápido, mas que infelizmente nem o fiz mais rápido nem o fiz completo, porque a partir dos 5kms estava em claras dificuldades, fazendo 9.3kms em 63'. Em resumo, preciso treinar o cardio e as pernas, que à mais pequena subida começam logo a fraquejar.

Mas 10kms são só 10kms e melhor ou pior conseguirei fazê-los.

O pior... o pior foi no dia 1 de setembro, em que ganhei um passatempo da Holmes Place para um dorsal de uma corrida. E qual, perguntam vocês?! Fácil! Para a Rock'n'Roll Maratona de Lisboa no próximo dia 15 de Outubro! Isto significa que tenho cerca de 40 dias para me preparar para a prova rainha da estrada! 40 dias!!! Se formos a ver o que tenho treinado e como me tenho sentido durante os treinos, todos chegamos à mesma conclusão: estou completamente tramado (sim, vamos usar a palavra tramado).

A outra conclusão que chego é que tenho de começar a treinar a serio se quero chegar ao final antes de começarem a arrumar o pórtico da meta. E a partir de amanhã, custe o que custar, com ou sem vontade de calçar os ténis e sair para a rua, vou mesmo fazê-lo. Entretanto o meu irmão emprestou-me uma bicicleta antiga dele e só estou à espera que os pneus cheguem para começar a dar umas voltas nela. O gajo bem que me podia ter emprestado a Scott dele, mas achou que era areia demais para a minha camioneta!

A ver se não chego assim


Vou também tentar andar mais ativo por aqui. Tenho algumas ideias para dinamizar o blog e quero pô-las em prática. Quero também voltar a ler o que têm escrito nos vossos blogs para as coisas serem o que eram novamente.

E, claro, quero muito, muito, voltar a correr em trilhos!